As instituições são mais importantes do que as pessoas?

Li em um blog a expressão: “…as instituições são muito mais importantes do que as pessoas”. Postei um comentário discordando da afirmação e o meu comentário não foi sequer publicado pelo moderador do blog (não vou citar a fonte por questão de ética).

Eu leio na Bíblia Deus criando todas as coisas, e depois de criar o mundo, Ele criou as pessoas. Veio então a primeira instituição, o casamento. Mas o texto se referia às instituições humanas, em forma de organizações, como é o caso das igrejas, convenções, associações, como as temos hoje. Tais instituições são importantes nas relações humanas, mas não estão acima das pessoas.

Deus olha para as pessoas e não para as instituições, esse é o meu entender! Jesus veio buscar e salvar pessoas e não instituições! “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10). O que estava perdido era o ser humano e não as instituições! Aliás, foram as instituições religiosas  que mataram Jesus! Ele foi contra o sistema religioso que imperava entre os judeus, e isso o levou à morte. Evidentemente tudo estava no plano perfeito de Deus. Jesus não morreu por acaso, foi tudo planejado por Deus desde a fundação do mundo (Ap 13.8).

Instituições vêm e vão, mas as pessoas permanecem. Instituições não podem substituir as pessoas, mas as pessoas podem mudar as instituições. Creio até que há instituições nocivas às pessoas. Instituições que destroem a vida. Instituições que tiram a liberdade humana, que prendem o ser. Instituições que tolhem a liberdade de pensar, refletir, discordar, de se expressar. Tais instituições não merecem sequer existir. Devem ser desativadas, despojadas e lançadas no esquecimento.

Até mesmo a igreja, quando deixa de ser vista como um organismo vivo (o corpo de Cristo)  e se torna apenas uma instituição, não merece o título de igreja, e não devia continuar existindo. Há alguns anos atrás, lancei na convenção estadual de minha igreja uma idéia de se ministrar aos obreiros a diferença da igreja como organismo e organização. Creio que minha idéia foi adotada por um companheiro de ministério que lançou um seminário com o tema. É preciso realmente diferenciar isso!

Sou a favor do ser humano, da vida, da liberdade, do amor, da paz, da graça, da comunhão, da compaixão, da esperança! Mas sou contra todo tipo de instiuição que nega o lado humano ou que tenta anular a individualidade e a liberdade humana.

Viva as pessoas! E abaixo as instituições que se poem acima das pessoas!

Ganhar almas?

Devo dizer que hoje em dia a expressão “ganhar almas” me deixa enervado em certo sentido. A Bíblia diz que “”O fruto do justo é árvore de vida, e o que ganha almas é sábio.”  (Provérbios 11.30). Isso se aplica a ganhar almas para o Reino de Deus, levar pessoas a uma experiência de salvação, a Jesus Cristo, o Senhor e Salvador do mundo (se bem que no contexto de Provérbios tem mais a ver com o livrar vidas do perigo, cultivar a amizade e o companheirismo). No entanto, o que vemos hoje não é um verdadeiro ganhar de almas para Jesus, para o Reino de Deus, mas o interesse em encher as igrejas de pessoas, para que haja mais dízimos, mais ofertas, mais dinheiro nos cofres da igreja. Vejo com pesar alguns líderes dizerem “estas cadeiras (ou bancos) serão insuficientes com o tanto de pessoas que encherão a nossa igreja”, num ato de vaidade e ostentação, como quem dizendo: “um dia serei um líder de uma igreja bem grande, com muitos membros e todos verão o meu poder, que Deus está comigo!”. Ledo engano!

Na verdade, ganhar almas é um ato nobre e sublime que Deus concedeu aos seus filhos. Faz parte do IDE imperativo do Senhor Jesus aos seus discípulos. É o cumprimento da Grande Comissão! Mas ganhar almas não significa o que muitos entendem hoje. O entendimento de ganhar almas, em muitas igrejas, está restrito às pessoas que vão à frente na hora do apelo em um culto ou campanha evangelística. Dizem com muito orgulho: “tantas almas foram ganhas para a glória de Deus!”. Que coisa horrível! A ida de pessoas à frente de um pregador na hora do apelo para receberem a oração da salvação, não signfica necessariamente  “ganhar almas” para o Reino de Deus.  Fui líder de uma cruzada evangelística por algum tempo e durante esse tempo pude observar que nem todos os que vão à frente permanecem na igreja. De quem é a culpa? Da própria igreja.

Agora observemos as palavras de Jesus: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28.19,20). Isto sim é ganhar almas! Fazer discípulos, batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensiná-los a guardar todas as coisas que o Mestre nos mandou! Mesmo que esses discípulos não permaneçam em nossa igreja, mas que vivam conforme as verdades do evangelho de Cristo, servindo ao Senhor de coração, mesmo em outra igreja.

Se assim fizermos, seremos sábios e verdadeiros ganhadores de almas!

Se eu discordar de meu líder estarei pecando?

Muito se fala de autoridade ou cobertura espiritual, referindo-se ao pastor presidente (em algumas igrejas: bispo, apóstolo, missionário, etc.) como quem tendo o poder de abençoar ou amaldiçoar as pessoas. A obediência a  esses líderes deve ser sem questionamento, pois são “homens de Deus”, sendo “usados” por Deus para fazer a “vontade” de Deus na terra (bem, não vamos exagerar tanto, na igreja ou no ministério ao qual ele serve). É evidente que o poder de abençoar ou amaldiçoar alguém pertence ao próprio Deus: “E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem” (Gn 12.3). Nenhum homem pode se colocar no lugar de Deus e requerer para si as prerrogativas divinas, ou mesmo dizer que está autorizado por Deus a fazer algo que não tem fundamento bíblico. É evidente também que há verdadeiros homens de Deus, que são realmente usados por Deus e que fazem a vontade de Deus.

Dito isto, vamos a pergunta da postagem. Devo dizer que o cristão é uma pessoa livre. E como seres livres podemos exercer a nossa liberdade em Cristo, respeitando, evidentemente, os limites impostos pela própria Palavra de Deus. Ninguém pode ou deve tolher a liberdade de um cristão e isto inclui a liberdade de expressão. Devo dizer também que a igreja é uma comunidade de pessoas que foram chamadas para servir ao Deus vivo e verdadeiro. É a “universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus” (Hb 12.23). E numa comunidade, creio que a participação de cada membro é importante. Todos podem e devem participar ativamente das atividades de suas igrejas. Isto posto, o pastor ou líder dessa comunidade, como escolhido de Deus, deve liderar com moderação e amor, sabendo que está prestando um serviço ao Reino de Deus. Ele não é o dono da igreja, nem tampouco dos crentes. O pastor ou líder é um ser humano como qualquer outro. Nenhum líder é um super-homem! Nenhum líder é infalível! (até o Papa que dizem que é infalível, é falível). Liderar não é fácil e nem todos acertam nas tomadas de decisão. Assim, se um crente discordar de seu líder em algum ponto, estará exercendo um direito que lhe pertence. Veja bem, estou falando de discordar e não de desrespeitar, que é totalmente diferente. As igrejas que eu liderei (foram somente duas ao todo) sempre dei total liberdade aos crentes para discordarem de minhas decisões, pois podia acontecer de eles verem ou perceberem algo que eu não estava vendo ou percebendo. E devo dizer, que foi uma bênção! Sempre fui respeitado e quando alguém discodava de mim, o fazia com respeito, ponderação e moderação. Isso é característico dos verdadeiros cristãos. Portanto, não é pecado discordar de seu líder!

A pergunta desta postagem se torna relevante porque há igrejas em que o líder se ponhe como o senhor absoluto da verdade e não aceita que ninguém contradiga o que ele diz ou faz. Ele é o “ungido” de Deus naquele lugar, e quem o contradiz estará contradizendo o próprio Deus. Evidentemente que isso é um absurdo! É por isso que alguns crentes fazem a pergunta em questão. Na verdade o que falta nesses líderes que agem assim é humildade. Ou quem sabe são pessoas inseguras de si mesmas! Seja qual for o caso, os crentes não são obrigados a engulirem tudo o que lhes dão. Podem dizer não, sem medo de estarem pecando contra Deus. É claro que isso não se aplica às verdades bíblicas. Quanto à Bíblia, o crente é obrigado a obedecê-la, sem questionamentos (desde que interpretada corretamente, e não ao bel-prazer de quem quer que seja).

Assim, todos podem exercer sua liberdade em Cristo, até mesmo a liberdade de discordar!

O perfeito amor lança fora o medo

“No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo. Ora, o medo produz tormento; logo, aquele que teme não é aperfeiçoado no amor.” (1 João 4.18 ARA).

Tenho ouvido alguns pregadores aterrorizarem o povo de Deus ultimamente. São pregadores que chamam a atenção dos crentes para que tenham MEDO dos castigos de Deus. A fidelidade a Deus deve ser mantida por “medo”, porque se alguém transgredir os mandamentos divinos será castigo severamente.

Creio que os crentes vão para a igreja para serem edificados e fortalecidos espiritualmente. A palavra de Deus diz que “o que profetiza fala aos homens para edificação, exortação e consolação” (1 Co 14.3). E que melhor profecia há senão a exposição da genuína Palavra de Deus em nossos cultos? Mas o que vemos são palavras duras e pesadas, impondo medo sobre o povo de Deus. E isso tem causado um mal-estar terrível nas pessoas que vão a igreja para ouvirem mensagens de edificação, exortação e consolação. Há pessoas que vão uma vez e não voltam mais àquela igreja. Alguém poderá dizer que isso é o uso da “exortação”. Mas você já procurou saber o que significa EXORTAÇÃO? Vamos ao dicionário. O Michaelis define: “Exortação. e.xor.ta.ção. sf (lat exhortatione) 1 Ato ou efeito de exortar. 2 Palavras com que se procura reformar ou melhorar os atos, costumes ou opiniões de alguém. 3 Admoestação, advertência. 4 Conselho. 5 Estímulo, incitação. 6 Dir Apelo do juiz aos jurados para que profiram sua sentença de acordo com a consciência e os ditames da justiça. E. religiosa: discurso em estilo familiar, com que se exorta à devoção”. Pela definição da palavra vemos que exortar não tem nada a ver em causar medo nas pessoas ou deixá-las em pânico. Deus jamais desejou ou deseja que alguém o sirva baseado no medo. Até mesmo o que a Bíblia fala sobre “temer a Deus” não significa “ter medo de Deus”, mas sim ser reverente, devoto a Deus.

Desta forma, a base de nosso relacionamento com Deus deve ser o AMOR. Sem amor não há devoção, não há reverência, não há temor. O perfeito amor lança fora todo o medo. Não servimos a Deus por MEDO, mas por AMOR. Não pecamos porque temos medo dos castigos de Deus, mas porque O amamos de todo o nosso coração. Se amamos não temos medo, se temos medo não amamos.

No Antigo Testamento Deus agiu de forma “dura” com o povo de Israel, mas o objetivo final de Deus foi o que lemos em Dt 10.12 “Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR teu Deus pede de ti, senão que temas o SENHOR teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma”. E é isso que Deus quer de nós cristãos hoje também!

Sim, meus irmãos, sirvamos a Deus de todo o nosso coração, por AMOR e não por medo!

Ser pastor

Qual o sentido dessa palavra? Ser pastor! Uma afirmação tão pequena, mas repleta de tanto significado!
Ser pastor é muito mais que ser um pregador. Está além de ser um administrador de igreja. Muito além de professor ou conferencista. Ser pastor é algo da alma, não apenas do intelecto.
Ser pastor é sentir paixão pelas almas. É desejar a salvação de alguém de forma tão intensa, que nos leve à atitude solidária de repartir as boas-novas com ele. É chorar pelos que se mantém rebeldes. É pensar no marido desta irmã, no filho daquela outra, na esposa do obreiro, nos vizinhos da igreja, nos garotos da rua. Ser pastor é tudo fazer para conseguir ganhar alguns para Cristo.
Ser pastor é festejar a festa da igreja. É alegrar-se com a alegria daquele que conquista um novo emprego, daquele que gradua-se na faculdade, daquele que recebe a escritura da casa própria ou do outro que recebeu alta no hospital. Ser pastor é ter o brilho de alegria ao ver a felicidade de um casal apaixonado, ao ver o sucesso na vida cristã de um jovem consagrado, é festejar a conversão de um familiar de alguém da igreja por quem há tempos se vinha orando. Ser pastor é desejar o bem sem cobiçar para si absolutamente nada, a não ser a felicidade de participar dessa hora feliz.
Mas ser pastor também é chorar. Chorar pela ingratidão dos homens. Chorar porque muitas vezes aqueles a quem tanto se ajudou são os primeiros a perseguirem-nos, a esfaquearem-nos pelas costas, a criticarem-nos, a levantarem falso testemunho contra a igreja e contra nós. É chorar com os que choram, unindo-nos ao enlutado que perdeu um ente querido, é dar o ombro para o entristecido pela perda de um amor, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes por parte do carente. Chorar com a família necessitada, com o pai de um drogado, com a mãe da prostituta, com a família do traficante, com o irmão desprezado.
Ser pastor é não ter outro interesse senão o pregar a Cristo. É não se envolver nos negócios deste mundo, buscando riquezas, fama e posição. É saber dizer não quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres. É não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa. Ser pastor é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina. Ser pastor é não aceitar subornos nem tampouco desprezar os não expressivos.
Ser pastor é ser pai. É disciplinar com carinho e amor, conquanto com a firmeza da vara, da correção e, não raras vezes, da exclusão de pessoas queridas. É obedecer a Bíblia, não aos homens. É seguir a Deus, não ao coração. Ser pastor é ser justo. Ser pastor é saber dizer não, quando a emoção manda dizer sim. Ser pastor é ter a consciência de não ser sempre popular, principalmente quando tiver que tomar decisões pesadas e difíceis, e saber também ser humilde quando a bênção de Deus o enaltecer diante do rebanho e diante do mundo. Os erros são nossos, mas a glória é de Deus.
Ser pastor é levantar-se quando todos estão dormindo e dormir quando todos estão acordados, socorrendo ao necessitado no horário da necessidade. Ser pastor é não medir esforços pela paz. É pacificar pais e filhos, maridos e esposas, sogros e genros, irmãos e irmãs. Ser pastor é sofrer o dano, o dolo, a injustiça, confiando nAquele que é o galardoador dos que o buscam. Ser pastor é dar a camisa quando lhe pedem a blusa, andar duas milhas quando o obrigam a uma, dar a outra face quando esbofeteado.
Ser pastor é estar pronto para a solidão. É manter-se no Santo dos Santos de joelhos prostrados, obtendo a solução para os problemas insolúveis. Ser pastor é não fazer da esposa um saco de pancadas, onde descontar sua fragilidade e cansaço. Ser pastor é ser sacerdote, mantendo sigilo no coração, mantendo em segredo o que precisa continuar sendo segredo, e repartindo com as pessoas certas aquilo que é “repartível”.  Ser pastor é muitas vezes não ser convidado para uma festa, não ser informado de uma notícia ou ser deixado de fora de um evento, e ainda assim manter a postura, a educação, o polimento e a compaixão. Ser pastor é ser profeta, tornar o seu púlpito um “assim diz o Senhor”, uma tocha flamejante, um facho de luz, uma espada de dois gumes, afiada e afogueada, proclamando aos quatro ventos a salvação e a santificação do povo de Deus.
Ser pastor é ser marido e ser pai. É fazer de seu ministério motivo de louvor dentro e fora de casa. É não causar à esposa a sensação de que a igreja é uma amante, uma concorrente, que lhe tira todo o tempo de vida conjugal. Ser pastor é amar aos seus filhos da mesma forma que ensina aos pais cristãos amarem aos seus. É olhar para os olhos de seus filhos e ver o brilho de seus próprios olhos. É preocupar-se menos com o que os outros vão pensar e mais no que os filhos vão aprender, sentir e receber. É ver cada filho crescer, dando a cada um a atenção e o amor necessários. É orgulhar-se de ser pai, alegrar-se por ser esposo, servir de modelo para o povo. E, quando solteiro, tornar a sua castidade e dignidade modelo dos fiéis, enaltecendo ao Senhor, razão de sua vida.
Ser pastor é pedir perdão. Se os pastores fossem super-homens, Deus daria a tarefa pastoral aos anjos, mas preferiu fazer de pecadores convertidos os líderes de rebanho, pois, sendo humanos, poderiam mostrar aos demais que é possível ser uma bênção. Mas, quando pecarem, saberem pedir perdão. A humildade é uma chave que abre todas as portas, até as portas emperradas dos corações decepcionados. A humildade pode levar o pastor à exoneração, como prova de nobresa e integridade, como pode fazê-lo retomar seus trabalhos com maior pujança e vigor. Há pecados que põem fim a um ministério e ser pastor é saber quando o tempo acabou. Recomeçar é possível, mas nem sempre. Ser pastor é saber discernir entre ficar ou sair, entre continuar pastor e recolher-se respeitosamente.
Ser pastor é crer quando todos descrêem. Saber esperar com confiança, saber transmitir otimismo e força de vontade. É fazer de seu púlpito um farol gigantesco, sob cuja luz o povo caminha sempre em frente, para cima e em direção a Deus. Ser pastor é ver o lado bom da questão, é vislumbrar uma saída quando todos imaginarem que é o fim do túnel. Ser pastor é contagiar, e não contaminar. Ser pastor é inovar, é renovar, é oferecer-se como sacrifício em prol da vontade de Deus. Ser pastor é fazer o povo caminhar mais feliz, mais contente, é fazer a comunidade acreditar que o impossível é possível, é fazer o triste ser feliz, o cansado tornar-se revigorado, o desesperado ficar confiante e o perdido salvar-se. As guerras não são ganhas com armas, mas com palavras, e as do pastor são as palavras de Deus, portanto, invencíveis.
Ser pastor é saber envelhecer com dignidade, sem perder a jovialidade. É ser amigo dos jovens e companheiro dos adultos. Ser pastor é saber contar cada dia do ministério como uma pérola na coroa de sua história. Ser pastor é ser companhia desejada, querida, esperada. É saber calar-se quando o silêncio for a frase mais contundente, e falar quando todos estiverem quietos. Ser pastor é saber viver. Ser pastor é saber morrer.
E quando morrer, deixar em sua lápide dizeres indeléveis, que expressem na mente de suas ovelhas o que Paulo quis dizer, quando estava para partir: “combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé”. Ser pastor é falar mesmo depois de morto, como o justo Abel e o seu sangue, através de sua história, de seu exemplo, de seus escritos, de suas gravações. Ser pastor é deixar uma picada na floresta, para que outros venham habitar nas planícies conquistadas para o Reino do Senhor. Ser pastor é fazer com que os filhos e os filhos dos filhos tenham um legado, talvez não de propriedades, dinheiro ou poder político, mas o legado do grande patriarca da família, daquele que viveu e ensinou o que é ser um pastor.
Eu sou pastor.
Obrigado, Senhor!

Pr. Wagner Antonio de Araújo

Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

bnovas@uol.com.br

O pastor segundo o Salmo 23

O salmo 23 nos fornece algumas características interessantes sobre a função pastoral. Evidentemente o salmista, por experiência própria, sabia o que era ser um pastor genuíno. Tendo isso em sua mente, ele aplica as características de um bom pastor ao próprio Deus, “o Senhor é o meu pastor”. Vejamos como deve ser um bom pastor:
“Nada me faltará”. O bom pastor é providente, não deixa a ovelha ficar desnutrida em todos os sentidos. Mas vejo aqui a providência com respeito ao bem-estar espiritual das ovelhas. Tratá-las com dignidade, providenciando-lhes um ambiente agradável, para que possam ser produtivas.
“Deitar-me faz em verdes pastos”.  O bom pastor tem sempre uma comida nova e adequada às suas ovelhas. Não as conduz a pastos secos, sem alimento. Isto fala de conhecimento da Palavra de Deus, intimidade, afinidade, manejar bem a Palavra da verdade. O pastor que não tem conhecimento adequado da Palavra de Deus não pode de forma alguma ser um bom pastor. Quantos pastores falham nisso! Se apegam a costumes, a coisas temporais e se esquecem do genuíno alimento espiritual, não falsificado, que realmente alimenta e traz crescimento as ovelhas.
“Guia-me mansamente a águas tranquilas”. O bom pastor produz segurança e tranquilidade às ovelhas. Guia-as com brandura, com espírito serviçal, não com ganância ou torpeza. Assim as ovelhas não sentem sede e não precisam procurar água em outras pastagens. “Águas tranquilas”, ou seja, não há turbulência, disputas, invejas, enganos. É tudo tranquilo, calmo, sereno. Quanta paz há aqui!
“Refrigera a minha alma”. Ó quanto refrigério sente a ovelha bem cuidada. Ela se sente em paz, em segurança. O louvor, a adoração fluem naturalmente pela gratidão do coração, por saber que tem um pastor que zela por ela.
“Guia-me pelas veredas da justiça”. Tratar justamente as ovelhas é sem dúvida uma condição essencial do pastor. Aqui não há acepção de pessoas. Ninguém é tratado diferente por posição social ou “status”. Não há privilegiados, todos são irmãos e tratados da mesma forma. A justiça exige isso. Quanta injustiça se tem praticado em alguns pastos (igrejas)!
“Tua vara e teu cajado me consolam”. Cajado é para ovelhas, vara é para os lobos. Alguns pensam que vara e cajado são para as ovelhas. Quanto engano! Vara e cajado são instrumentos de consolo e não de tristeza ou pesar! Há pastos em que as ovelhas já não aguentam mais tanta vara! Não tem cajado. Cajado é para puxar a ovelha, para garantir-lhe a segurança. Já a vara é para afugentar os lobos, os devoradores. Nos dias em que vivemos as pessoas vivem afligidas pelos problemas da vida e quando vão a igreja é para receberem uma palavra de conforto, de segurança, de esperança, de alegria, mas infelizmente em alguns lugares recebem palavras tão pesadas que voltam para casa entristecidas e ficam piores que antes, melhor lhes fora não terem ido àquele pasto.
“Preparas uma mesa perante mim”. Mesa farta, mesa de abundância. O inimigo é afugentado! Não há chance para ele.
“Unges a minha cabeça com óleo”. Cuidado com a saúde espiritual. Providência. Alegria, transbordar, deleite! Como é bom viver num pasto assim!
Desta forma, “a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do SENHOR por longos dias”. Há prazer em se estar na casa do Senhor!
Que Deus nos dê bons pastores!

Servir ou ser servido?

image “Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.”  (Mateus 20.28).

Fico a imaginar o que está acontecendo com os chamados servos de Deus de hoje.

A palavra “servo” nos fala de alguém que está debaixo de uma serventia. O dicionário online Priberam define servo como: 1. Aquele que não dispõe da sua pessoa, nem de bens. 2. Homem adstrito à gleba e dependente de um senhor. ≠ suserano. 3. Pessoa que presta serviços a outrem, não tendo condição de escravo. = criado, servente, serviçal. 4. Pessoa que depende de outrem de maneira subserviente. 5. Que não tem direito à sua liberdade nem a ter bens. ≠ livre. 6. Que tem a condição de criado ou escravo. 7. Que está sob o domínio de algo ou alguém.

Portanto, servo é chamado para servir. Nada mais, nada menos. Para mim é uma aberração alguém ser chamado de  “grande servo de Deus”. Se é grande não é servo e se é servo não pode ser grande. Mas para muitos ser chamado de “grande servo de Deus” é motivo de orgulho, de ostentação, de destaque. O mais complicado é quando os chamados “servos” querem ser servidos, ao invés de servirem. É o caso de certos pastores que querem que os membros de suas igrejas os sirvam, como ser eles fossem reis ou pessoas especiais porque se ocupam dos encargos do Reino de Deus na congregação aonde foram chamados para “”servir”. Afinal, esses são os “ungidos de Deus” e devem ser reverenciados como tais. Uma verdadeira aberração e deturpação da palavra “servo”. (Leia também minha postagem “O que é autoridade espiritual?”).

Mas quando olhamos para Jesus Cristo, o nosso modelo e exemplo de servo, vemos algo totalmente diferente do que advogam esses  “servos de Deus”. O Filho do Homem não veio para ser servido, e olhe que Ele bem merecia e devia ser servido, visto que se tratava do próprio Deus encarnado. Mas não, Ele veio para servir e dar a sua vida em resgate de muitos!

Um grande exemplo de servo que Jesus nos dá, além de sua total submissão à vontade do Pai, foi ter lavado os pés de seus discípulos momentos antes da sua crucificação, e ainda perguntou a eles “vocês entenderam o que lhes fiz?”, como quem querendo deixar bem claro a lição ali ensinada. Ele era o Mestre e Senhor e tinha lavado os pés dos discípulos, assim eles deveriam lavar os pés uns dos outros. Coisa que muitos “servos” de hoje não querem fazer!

Seguir o exemplo do Mestre é buscar, não os seus próprios interesses, mas os do Reino de Deus. É servir de exemplo para os fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza (1 Timóteo 4.12). É servir a congregação de modo simples, verdadeiro, sincero, pois fazendo isso, o Reino de Deus cresce, as pessoas são edificadas e as almas são salvas. Haverá também o reconhecimento dos fiéis. Todos se espelharão no servo que tem. Todos procurarão imitá-lo, pois este será o imitador do próprio Cristo!

Que Deus nos ajude a sermos verdadeiros “servos de Deus”!